Quem nunca acordou numa manhã qualquer sem forças para sair da cama e enfrentar mais um longo dia de trabalho? Há certos dias nos quais, se dependesse exclusivamente da sua vontade, você simplesmente viraria para o lado e continuaria dormindo.
Isso é bastante normal e todas as pessoas, dependendo do dia, despertam mais ou menos disposta. O problema é quando essa sensação se intensifica e mantém-se durante dias ou até por meses seguidos, a ponto de a ida para o trabalho se transformar num grande sofrimento.
Quando isso acontece com frequência, é sinal que algo está muito errado. Se esse é o seu caso, cuidado. Você pode estar sendo vítima de uma mal cada vez mais comum nos dias de hoje, a exaustão profissional, doença séria que já atinge cerca de 40% da população ativa.
SEM ENERGIA
Nos Estados Unidos, essa doença ganhou o nome de burnout, expressão que resumebem o impacto dos sintomas sobre o organismo. Burnout pode ser traduzido como "uma fogueira (ou chama) que se extingue". A vítima se sente sem energia, completamente esgotada.
Esta doença está diretamente ligada ao trabalho, e atinge, na maioria das vezes, os indivíduos que têm um relacionamento mais intenso com os outros colegas da empresa.
Em uma entrevista à revista Você S.A., a professora-doutora Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP afirma que "a pessoa fica bem em qualquer lugar, menos no escritório, pois não sente mais satisfação na realização das tarefas que antes eram prazerosas. Geralmente ela se acha lesada porque a empresa não tem reconhecido seu esforço e dedicação. Muitas vezes trabalha o dobro ou o triplo do colega do lado, só que o chefe não enxerga essa diferença. E isso não é desestimulante" afirma.
Embora haja uma grande diferença entre estresse e exaustão profissional, nem sempre os médicos tem conseguido fazer um diagnóstico preciso da doença.
O estresse é um conjunto de reações que o organismo desenvolve diante de uma situação que exige resposta e seu organismo fica em estado de alerta. Há uma descarga de adrenalina, uma concentração maior de sangue no cérebro, os músculos se retesam e o coração bate mais acelerado. Estresse não significa, necessariamente, sofrimento e só se torna um problema quando esse conjunto de reações se tornam permanentes, sem intervalos que permitam ao organismo uma recuperação.
Já a exaustão no trabalho, como é oficialmente reconhecida no código internacional de doenças, provoca desgaste e sofrimento. É consequência direta do dia-a-dia altamente competitivo que os profissionais enfrentam dentro das organizações e não em momentos de pico estressante.
É um processo lento, que leva semanas, meses e, em alguns casos, anos para se manifestar. Hoje, mais do que nunca, trabalhamos sob pressão, temos que produzir cada vez mais num espaço de tempo restrito e num nível alto nível de exigências.
CONHEÇA OS SINTOMAS
A síndrome de burnout age minando a resistência do organismo, e suas vítimas podem apresentar inúmeras manifestações, como as descritas abaixo:
Insegurança, medo, ansiedade, inquietação, aflição.
Hipertensão, disfunsão digestiva, problemas cardíacos e dermatológicos, dores musculares e de cabeça, insônia.
Dificuldade na resolução de problemas do cotidiano, procrastinação (adiamento), impaciência em relação aos outros, indiferença, irritabilidade, intolerância.
- Mudança no estado de ânimo:
Apatia total e incapacidade de sentir satisfação na execução de tarefas. Ir até a mesa do colega ao lado é penoso. Telefonar para um cliente torna-se um sacrifício. Há um sentimento de tristeza profunda e infelicidade.
PREVINA-SE.
Ninguém precisa ficar esperando que a empresa adote um programa de prevenção do esgotamento profissional para se proteger dessa doença. Há algumas medidas que, se adotadas, reduzirão as chances de desenvolvimento da doença.
- Procure identificar os agente: Os agentes estressores podem ser a empresa como um todo, o trabalho que você executa, seu chefe, um colega de trabalho, etc.
- Avalie o que pode ser mudado e mude: Uma vez identificado esses agentes, avalie o que você pode mudar e mude. O que não for possível exigirá uma melhor adaptação de sua parte.
- Estabeleça limites: Ajudar os colegas de trabalho é altamente louvável, mas você não pode ficar disponível o tempo todo. Isso prejudicará o andamento do seu trabalho.
- Defina prioridades: Ao chegar ao escritório defina quais as prioridades do dia. Não perca muito tempo com problemas que podem ser resolvidos no dia seguinte sem prejuízo para você ou para a empresa.
- Prioridades da vida: Defina também quais são as prioridades da sua vida. O que vem primeiro, a família, os estudos, o trabalho? Questione-se se você tem tido tempo para a sua prioridade e não se surpreenda se você descobrir que sua prioridade tem sido relegada a um segundo plano.
Não sobrecarregue sua agenda: É preciso manter uma certa flexibilidade de horários para as emergências no trabalho, que sempre acontecem.
Aproveite os momento de descanso: No horário do cafezinho, vale tudo, menos falar de trabalho. Essa pausa é importante.
Por fim, o óbvio: Pratique exercícios, faça esportes, medite.
Jornal Administrador Profissional
Conselho Regional de Administração
Ano XXIV – n° 179 – Abril/2001 |