Em tempos não tão modernos assim

Atualmente, notamos cada vez mais pessoas conectadas com a internet, reflexo do grande avanço digital onde tudo é mais rápido e mais dinâmico. Tal fato trouxe alguns benefícios e comodidades para a sociedade contemporânea como rapidez nas movimentações bancárias, flexibilidade de compras, contato com pessoas em diversas partes do mundo, encontros e reencontros de pessoas, relacionamentos virtuais, entre tantos outros. Mas será que realmente essa nova era trouxe tantos avanços notáveis assim?

Certo dia em uma festa encontrei-me com José, um velho amigo de infância. Ao colocarmos o papo em dia, notei que insistentemente ele olhava para uma bela moça do outro lado do salão. Ao perceber que eu havia notado seu interesse por ela, incentivei-o a se aproximar da garota. Ele ficou desconfortável e me disse: “Acha que eu devo ir lá e pedir o face dela?” Foi aí que eu notei que nossa geração está realmente perdida. Lembrei-me de José na época de escola, líder nato, aquele que chamava a turminha para as melhores brincadeiras e sempre era paquerado pelas meninas. Agora me deparei com tal situação, um sujeito que não conseguia puxar um papo e se relacionar fora da web. O mais engraçado e não menos trágico, foi ter me colocado no lugar de meu amigo, pois também faço parte dessa era, da era de equipamentos extremamente inteligentes e pessoas burras.

Antigamente, consultávamos a Barsa, a biblioteca ficava longe de casa e marcávamos com vários amigos para fazer um trabalho escolar, era o maior barato. Hoje, consultamos o Google sentados em poltronas confortáveis em nossas casas vazias. Um bom papo hoje em dia é raro, são tantas abreviaturas, fotos com filtros, citações sem autores e analfabetos funcionais. Utilizam celulares com excelência, mas não conseguem fazer uma redação.

Hoje eu faço a mesma pergunta que meu amado Drummond: E agora, José? Agora, precisamos levantar a cabeça, deixar de olhar para a tela do celular e olhar nos olhos das pessoas, necessitamos retornar à “era analógica” onde as pessoas iam nas casas umas das outras, quando as confidências entre os amigos eram feitas pessoalmente e não por email, mensagens instantâneas e redes sociais. Precisamos dar às pessoas nossa verdadeira atenção e nosso amor, e não simplesmente nosso “curtir”.

Natália Aloise

 
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